Abril

Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha (1964)

Do gráfico ao sugestivo. De Deus, e o Diabo, ao Homem. Extracampo é o mar, e o mar é o sertão.

L’éclipse du Soleil en Pleine Lune, Georges Méliès (1907)

Fantástico como o filme cria um humor interessante e bizarro (?) através da montagem. O conceito de plano também é bem inteligente, desde a amplitude da tela que abarca as situações engraçadas envolvendo os estudantes e o professor, até a representação do encontro da lua com o sol. Só na segunda parte da representação dos astros que isso fica meio bagunçado.

Lights Out, de David F. Sandberg (2013)

Se o Sandberg não colocasse tantos sub-textos problemáticos dentro do longa, talvez a premissa funcionasse tão bem quanto funciona aqui. Simples, objetivo e aterrorizante. Não precisou dizer que a única solução para doenças psicológicas é dar um tiro na própria cabeça.

Los Silencios, Beatriz Seigner (2019)

Assisti o filme antes no Janela, em agosto do ano passado (eu acho). Foi decepção total. Esperava um Apichatpong, mas só encontrei maneirismos do diretor em uma forma meio “colonizada” de gravar a mitologia de uma aldeia tão rica. Era como se a diretora não acreditasse tanto no poder do plano, da fala, dos sons, e quisesse criar uma estética que a ela ou ao público fosse mais palpável.

Revi o filme ontem. Ainda tive a oportunidade de entrevistar a Beatriz para o JC (matéria que deve sair ainda essa semana). Cresceu um pouco. A impressão que tive foi de um filme com os mesmos problemas da primeira vez, mas com uma certa força central temática. É um filme sobre o luto, independente da mitologia que ele aponte a câmera, mesmo que todo o escopo seja construído dentro disso. A natureza, o som ao redor, o extracampo, tudo está a serviço da dor da mãe e suas representações. A beleza do filme esta aí, e não na câmera e montagem que tentam simular uma crença maior no material que está ao redor. Acho que até por isso, não propositalmente, a mãe é uma turista na ilha, tanto no concreto, quanto no temático.

Slenderman, Sylvain White (2018)

Horrível. O filme até tenta investir na temática do virtual que é tão presente no mito original, mas tudo para desembocar em uma abordagem caricata. E o pior: o filme é bem longo para a própria trama que inventa, sendo obrigado que adicionar coisas sem sentidos para fechar uns buracos que só existem porque a própria trama não progride em nada. Nem quando vai para o gráfico isso tudo funciona. Ou seja, não é daqueles filmes que você vai tomar bons sustos, tapar o olho, saltar da cadeira. Até porque também, convenhamos, o Slender já não é uma figura muito assombrosa, e com uma direção desse nível a coisa fica impossível mesmo. Perda de tempo.

Die Sehnsucht der Veronika Voss , Rainer Werner Fassbinder (1982)

Talvez o melhor filme sobre jornalismo já feito. Como toda abordagem investigava se posiciona sobre um mundo doente e distorcido – as falas da repórter de cultura são bem definidoras em relação a isso, esse distanciamento frio, que às vezes se confunde com paixão mas no final não altera o desfecho de nada. Até o papel quase que irrelevante da figura do “jornalista esportivo”, não em ação, mas como ideia que é sempre diminuída. Isso tudo sem falar do maneirismo do Fassbinder que é coisa de outro mundo, os tons de branco estourando no consultório, os planos distorcidos – que até parecem assim, mas enquadram os personagens de uma forma bem representativa para a trama. Tudo a serviço de uma desconstrução de um ideal hollywoodiano bem marcante. Filmaço.

Gespenster, Christian Petzold (2005)

Primeiro Petzold que assisto. As duas tramas paralelas não conversam bem imageticamente, mesmo que tematicamente haja algo bem marcante entre elas. De toda forma,

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